“Minha voz merece ser ouvida”: fórum fortalece protagonismo das pessoas com deficiência

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Feapaes-ES
21 de setembro de 2026
Com o tema “Oportunidade Transforma”, o encontro acontece nos dias 22 e 23 de setembro, no Sesc Praia Formosa, reunindo representantes das Apaes capixabas
Na semana em que celebramos o Dia Nacional de Luta da Pessoa com Deficiência (21 de setembro), a Federação das Apaes do Espírito Santo (Feapaes-ES) realiza o X Fórum de Autodefensores do Estado.

Com o tema “Oportunidade Transforma”, o encontro acontece nos dias 22 e 23 de setembro, no Sesc Praia Formosa, reunindo representantes das Apaes capixabas em torno de uma mensagem fundamental: as pessoas com deficiência devem participar das decisões que envolvem seus direitos, suas necessidades e seus projetos de vida.

O fórum integra o Programa Nacional de Autogestão e Autodefensoria e busca estimular a independência e a autonomia das pessoas com deficiência intelectual e múltipla e com Transtorno do Espectro Autista (TEA). Durante o encontro, os participantes podem compartilhar experiências, apresentar demandas e propor iniciativas relacionadas aos espaços em que vivem e convivem.

A programação inclui as palestras “Sexualidade e autonomia com responsabilidade”, ministrada pelo médico psiquiatra Gabriel Bessa, e “Atribuições e responsabilidades do autodefensor estadual”, conduzida pelo autodefensor nacional Gustavo da Silva, da Federação das Apaes de Rondônia.

Um dos momentos centrais será a eleição da nova dupla de autodefensores estaduais, que representará a rede capixaba no período de 2027 a 2029. Antes da votação, os candidatos apresentarão suas propostas aos participantes. Após a apuração, os eleitos serão diplomados e farão o juramento de defender os direitos das pessoas com deficiência intelectual e múltipla e com autismo.

Uma voz que representa muitas outras
Os autodefensores estaduais têm a responsabilidade de ouvir as demandas dos representantes das Apaes, levá-las ao Conselho de Administração da Feapaes-ES e contribuir com propostas que promovam direitos, inclusão e qualidade de vida.

Os atuais representantes, Matheus Gomes de Souza e Dayani Prates da Silva, foram eleitos em 2024. Ao longo do mandato, descobriram que a autodefensoria vai muito além de ocupar um cargo. É uma oportunidade de aprender, tomar decisões, expressar ideias e defender direitos.

“Depois que me tornei autodefensor, passei a acreditar mais em mim e na minha capacidade. Aprendi várias coisas e continuo aprendendo a falar em público e a participar das reuniões. Hoje tenho mais autonomia para tomar minhas decisões e defender não só os meus direitos, mas também os dos meus amigos”, conta Matheus.

Representar milhares de pessoas com deficiência intelectual e múltipla também é motivo de orgulho para ele. “Eu represento 10 mil pessoas e visto essa camisa com muito orgulho”, afirma.

Dayani também reconhece as mudanças que viveu desde que assumiu a função. “Depois que me tornei autodefensora, passei a ter mais firmeza nas minhas decisões e a acreditar mais em mim. Aos poucos, estou me soltando para falar em público”, relata.

Para ela, representar outras pessoas significa compreender que a luta não é individual. “Eu não luto só por mim, e sim por todas as pessoas com deficiência, que têm direitos iguais.”

Nada sobre nós sem nós
Para a presidente da Feapaes-ES, Maria das Graças Vimercati, promover a inclusão também significa reconhecer a capacidade das pessoas com deficiência de fazer escolhas e participar das decisões que afetam suas vidas.

“A autodefensoria nos ensina que não basta falar sobre as pessoas com deficiência. É preciso criar espaços para que elas próprias possam falar, participar e ajudar a construir as decisões que dizem respeito às suas vidas. Quando damos essa oportunidade, fortalecemos não apenas a autonomia, mas também a cidadania e o protagonismo de cada uma delas”, destaca.

Ao final do fórum, Matheus e Dayani, assim como os suplentes Bruno Cesar de Souza Rocha e Sthephany Garcia Dias, receberão uma homenagem pelo trabalho realizado entre 2024 e 2026.

Para Matheus, a experiência deixa uma mensagem a quem está começando esse caminho: “Nossas deficiências muitas vezes podem trazer desafios para os nossos planos, mas não impedem os nossos sonhos.”