Diretor da Feapaes-ES participa de conferência da ONU e apresenta experiência capixaba sobre inclusão de pessoas indígenas com deficiência

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Feapaes-ES
12 de junho de 2026
Como parte das atividades da conferência, Vanderson apresentou a experiência desenvolvida pela Apae de Aracruz voltada à inclusão e à garantia de direitos das pessoas indígenas com deficiência.
A Federação das Apaes do Estado do Espírito Santo (Feapaes-ES) participou da 19ª Conferência dos Estados Partes da Convenção sobre os Direitos das Pessoas com Deficiência (COSP19), realizada pela Organização das Nações Unidas (ONU), em Nova York, nos Estados Unidos. Representando a instituição e a Federação Nacional das Apaes (Fenapaes), o diretor social da Feapaes-ES e primeiro diretor-secretário da Fenapaes, Vanderson Gaburo, integrou a delegação brasileira no evento.

A edição deste ano teve um significado especial por marcar os 20 anos da Convenção sobre os Direitos das Pessoas com Deficiência (CDPD), considerada um dos mais importantes instrumentos internacionais para a garantia da inclusão, da acessibilidade e da participação social das pessoas com deficiência em todo o mundo.

Durante os três dias de programação, representantes de governos, organismos internacionais, entidades da sociedade civil e especialistas discutiram temas como a construção de sociedades livres de violência e discriminação, o fortalecimento dos sistemas de apoio e cuidado e a ampliação da participação das pessoas com deficiência nos espaços de decisão.

Como parte das atividades da conferência, Vanderson apresentou a experiência desenvolvida pela Apae de Aracruz voltada à inclusão e à garantia de direitos das pessoas indígenas com deficiência. O tema ganhou visibilidade internacional por abordar uma realidade ainda pouco discutida em políticas públicas e fóruns globais.

“Estamos falando de pessoas que enfrentam múltiplas barreiras ao mesmo tempo: a deficiência, a pobreza, a distância geográfica, a dificuldade de acesso aos serviços públicos e, muitas vezes, o preconceito e a invisibilidade histórica vivida pelos povos indígenas. É uma exclusão dentro de outra exclusão”, destacou Vanderson durante sua apresentação na ONU.

Segundo ele, os dados do Censo apontam que a incidência de deficiência entre a população indígena é proporcionalmente maior do que na população em geral, reforçando a necessidade de ampliar estudos, políticas públicas e estratégias específicas para esse público.

Experiência capixaba ganha destaque internacional

A iniciativa apresentada na ONU teve como marco o seminário “Direito, Inclusão e Visibilidade: reflexões e trocas de saberes para o Bem Viver das pessoas indígenas com deficiência”, realizado em 2025 na Aldeia Pau Brasil, em Aracruz.

Durante sua fala, Vanderson ressaltou que o principal legado do seminário foi transformar o diálogo em ações permanentes.

“O mais importante é que o seminário não terminou quando o evento acabou. A Apae de Aracruz tem transformado essa reflexão em trabalho contínuo junto às comunidades indígenas, buscando garantir acesso a direitos de forma culturalmente respeitosa e alinhada às especificidades dos povos originários. Esse trabalho demonstra que a inclusão só é verdadeira quando respeita a identidade, a cultura e o modo de vida de cada povo”, afirmou.

Além da apresentação realizada no Fórum das Organizações da Sociedade Civil, Vanderson também participou da Assembleia Geral da ONU e do primeiro evento promovido pela Apae Brasil dentro da programação oficial da conferência.

Ao final da participação na COSP19, o diretor destacou a importância de levar experiências concretas desenvolvidas pelas Apaes brasileiras para o cenário internacional.

“Foi uma oportunidade extremamente rica para compartilhar o trabalho que vem sendo realizado no Espírito Santo e para reforçar que a construção da inclusão passa pela escuta, pelo respeito às diferenças e pela construção coletiva de soluções. Saímos daqui com a certeza de que precisamos continuar ampliando o debate, fortalecendo políticas públicas e garantindo visibilidade às pessoas indígenas com deficiência em todo o mundo”, concluiu.